quarta-feira, 4 de dezembro de 2019

A Cobra do Rio Cuiapí

A minha avó conta que existia uma cobra muito, mais muito grande que só aparecia ao meio dia, num dos afluentes do rio Canaticú, o rio Cuiapí. Ela ficava boiando sobre a água, tanto que teve uma vez, minha vó me contou, que um homem foi para o trabalho, e na volta, justamente ao meio dia, no seu casco, ele viu uma mancha escura na água, que parecia vir do fundo do rio, foi então que ele notou em torno do seu casco várias folhas boiando, todas brotando do fundo da água, desesperado, ele começou a remar e a remar e a remar. Só teve um problema, ele simplesmente não saia do lugar. O medo tomou conta de seu coração, e o homem tinha certeza de que tinha chegado ao seu fim. Mas neste momento, como se tivesse sido enviado por um anjo, um outro homem apareceu passando em uma rabeta, foi então que ele acenou e gritou desesperado por ajuda, o transeunte parou a rabeta, embarcou o homem desesperado, e seguiu viagem. Somente assim ambos conseguiram sair daquele local assombrado pela cobra, deixando o casco para trás. E este é o final de mais um desses episódios inexplicáveis de Curralinho e do Marajó.



Paulo Henrique Miranda de Oliveira, 15 anos, 8º ano, 26 de novembro de 2019. Escola Municipal de Ensino Infantil e Fundamental Cidade.

segunda-feira, 2 de dezembro de 2019

A Luta das Cobras Grandes do Rio Canaticú


Tudo aconteceu no ano de 2016, um homem chamado Bartião, ele era comprador de açaí, e em uma de suas viagens da Sarafina para Curralinho onde estava levando esse tesouro daqui da comunidade para vender lá na cidade. Aí, quando atravessava um local chamado Exporsão, que é uma área com poços profundos no rio, avistou duas cobras brigando. Porém, não eram cobras comuns, elas possuíam um tamanho descomunal, não lhe restou nenhuma dúvida de que se tratavam de duas Cobras Grandes.

Bartião ficou na dúvida se parava ou se voltava ou se ele se arriscava a seguir adiante em sua viagem para a cidade. Foi então que decidiu seguir em frente, mas pela beira do rio, que seria a parte mais rasa, na qual as cobras talvez não se dessem ao trabalho de atacá-lo. Ele acelerou tudo o que podia no motor da embarcação, e passou o mais rápido possível daquela batalha monstruosa entre aquelas duas bestas gigantes que habitam o rio Canaticu.

Ele nunca mais viu nenhuma daquelas criaturas.

Dionísia de Souza dos Santos, 15 anos, 9° ano da Escola Municipal de Ensino Fundamental Pimental Anexo (Sarafina). Em

21 de agosto de 2019.

sábado, 24 de agosto de 2019

A Girafa da Sarafina


Este relato aconteceu antes mesmo de eu nascer, quando a minha mãe estava grávida da minha irmã, que hoje já tem 15 anos de idade, teve um encontro aterrorizante!

Ela estava pescando junto com meus irmãos Ediel e Danilly, a Jamilly estava na barriga dela. Todos eles iam num casco próximos à tapera do Maia, que é daqui da Sarafina mesmo, última comunidade do rio Canaticu.

A certa altura da pescaria, ela foi surpreendida por um assobiado. Minha mãe achou que seria o meu pai e ralhou com um palavrão de volta pra ele. Mas quando ela se virou para olhar na direção de onde veio o assobio... Uma girafa?!?! Nenhuma outra criatura poderia ser mais improvável em plena floresta marajoara.

Na mesma hora minha mãe encostou o casco na margem do rio, apanhou meus irmãos, que eram bem pequenos, e saiu numa desabalada carreira pela trilha até a Sarafina.

Para seu desespero e dos meus irmãos, aquela girafa a perseguiu ao longo do caminho. Meu irmãozinho, agarrado nos braços dela e com a cabeça voltada para trás, alertava minha mãe de que a girafa estava se aproximando deles.

Quando minha mãe já estava chegando na Sarafina, ela finalmente encontrou meu pai, ao olhar para trás, a girafa já tinha desaparecido, desistindo desta desesperadora perseguição.

Nesta hora, meu pai levou minha mãe para a casa do pai dela, ela ficou tão assustada com o ocorrido, e talvez sob algum efeito daquela criatura, que minha mãe desmaiou. Felizmente, minha mãe nunca mais se deparou com aquela criatura

novamente.

Dédima Tavares Maia, 13 anos, 7º ano da Escola Pimental Anexo (Sarafina), em 16 de agosto de 2019.

terça-feira, 30 de julho de 2019

O Homem de Branco



Este relato aconteceu com a minha mãe muito tempo atrás. Ela estava indo para a casa do tio Pruniano, e já longe, quando ia tranquila pelo meio do caminho, uma coisa chamou sua atenção ao seu lado. Minha mãe notou que o mato se mexia de forma estranha num determinado local distante da trilha que ela seguia. Ela ficou lá, curiosa (e assustada), olhando para o lado, até que ela conseguiu ver o que era: um homem todo vestido de branco, ele estava em pé, reto, mas com a cabeça abaixada e coberta por um chapéu. Foi aí que ele mostrou sua mão. Na verdade, mais parecia uma garra, pois suas unhas eram gigantes e vermelhas.


Foi a última coisa que minha mãe viu daquela visagem. Pois ela correu como se sua vida dependesse disso. E talvez dependesse. Ela só parou quando chegou em casa. Exausta. A única sequela que ela teve daquele encontro foi um cansaço excessivo. Mas quem não teria ficado também?

segunda-feira, 13 de maio de 2019

A Árvore-Coração do Marajó


Era uma vez, um homem cujo nome era João. Numa certa noite João saiu para lanternar, que é quando o caçador sai para caçar de noite, ao chegar à mata, ele avistou um veado e deu um tiro na direção dele, a caça caiu morta na hora.

O tempo passou e João voltou a lanternar, e quando chegou ao local que tinha matado o veado anterior, focou com sua lanterna e avistou os dos olhos acesos, pois os olhos da caça brilham com a luz da lanterna, e João atirou. Ao correr para ver o que era, não tinha nada no local onde o tiro atingiu, já assustado, o caçador voltou para casa e deixou para buscar a caça ao amanhecer.

Assim que amanheceu, João ficou preocupado e foi procurar o que tinha atirado, quando chegou ao local, procurou por todos os lados e não encontrou nada. Mais assustado ainda, ele foi procurar na árvore que estava atrás do veado, quando olhou para ela, viu os olhos do veado grudados na árvore, e foi aí que ele percebeu o que estava diante dele: os dois olhos que viu foram os olhos do primeiro veado que matou ali.

Nayara de Paula, 13 anos, 6º ano, Escola Cidade, às margens do rio Aramaquiri.

O Assobiador dos Pacas Ataca Novamente...


Há muito tempo, quando eu tinha apenas 6 anos de idade, ainda me lembro, a minha mãe me disse que a minha avó disse a ela que tinha um assobiador aqui na região. E por mais incrível que pareça, na mesma noite em que minha mãe soube da existência desse assobiador, ela acabou ouvindo aquele assobio sombrio e macabro. Na hora ela não quis contar para ninguém quando o ouviu. Pois era madrugada, e todos já estavam dormindo. Felizmente, isto aconteceu apenas naquela noite, e ela não voltou a ouvir aquele assobiador... É o que eu tenho a dizer.

(Marcos Eduardo Cabral Furtado, 11 anos, 6º ano, Escola São Francisco dos Pacas)

quarta-feira, 8 de maio de 2019

A Cobra Grande

Há muito tempo atrás, meu cunhado saiu da casa dele para a casa da sua mãe que morava no município de São Sebastião da Boa Vista. Quando já ia pelo meio do caminho, o motor da sua embarcação começou a falhar. Ele prosseguiu viagem até o motor dele parar totalmente. Enquanto meu cunhado ainda estava tentando consertar o motor quando notou algo estranho em volta do seu casco: a água estava um pipoqueiro só em torno de toda a embarcação.

– Meu Deus! É a Cobra! – exclamou o rapaz.

Não tem mais opção, já que o motor não voltou a funcionar, ele começou a remar, remou o mais rápido que seus músculos permitia. Remou por sua vida sem olhar para trás. Ele chegou até a margem do rio, mas não ficou para saber se a cobra o perseguia.

Ray Gomes de Carvalho, 14 anos, 7º ano, Escola São Francisco dos Pacas.


Poltergeist com Terçado

Há muito e muito tempo atrás, numa comunidade distante daqui de São Francisco dos Pacas, aconteceu este causo que vou lhes contar agora. E foi minha mãe que me contou.
Certa noite, meu avô saiu para caçar. Assim, minha mãe ficou sozinha em casa. A certa hora da noite, ela foi se deitar na rede para descansar um pouco. Ela devia estar deitada por uns cinco minutos, quando seu descanso foi interrompido por um estrondo forte de um objeto metálico que tinha caído no chão. O som vinha da sala da casa. Minha mãe sempre foi uma mulher corajosa e se levantou para ver o que tinha acontecido. Chegando à sala, ela viu o terçado jogado sobre o chão. Ela olhou em sua volta desconfiada, porém, nenhum sinal de que alguém havia passado por ali.
Minha mãe juntou o terçado do chão e o colocou no canto da sala, novamente de pé. Depois disso, ela voltou para sua rede. Mas aquele evento estranho não saia de sua cabeça: o que poderia ter derrubado aquele terçado?
Imaginando que poderia ter sido algo sobrenatural. Uma visagem, espírito ou qualquer manifestação do além, ela decidiu provocar aquela entidade, caso realmente tivesse sido uma:
– Se for o inimigo, que jogue o terçado de novo! – desafiou minha mãe.
Ela só não imaginou que se arrependeria tão rápido do que disse.
Seja lá o que quer que tenha acontecido para derrubar aquele terçado no chão da sala, ele caiu novamente. Ela não acreditou naquilo, e ao som do estrondo, ela deu um pulo da rede com o susto. Mas não foi só isso. Ela nem teve tempo de ir até à sala para ver o terçado jogado no chão dela. Isto porque agora ele estava caído na porta do seu quarto. Aquilo deixou minha mãe apavorada!
Este fenômeno a derrubou por dias sofrendo de febre. Sem falar que roubou toda a sua coragem de ficar sozinha em casa. E isto aconteceu há muito e muito tempo atrás.

Thays Gomes de Carvalho, 12 anos, 7º ano, Escola São Francisco dos Pacas. Conto escrito em 04 de abril de 2019.




No Tempo do meu Avô...

Há muito tempo atrás, num tempo em que não existia igreja Católica aqui na comunidade, muito menos a igreja Evangélica. Numa época em que não existia motor de energia elétrica para iluminar nossas noites, e cuja única luz que o povo daqui poderia contar era com a da lamparina a óleo. Num período em que ainda existiam umas poucas casas em São Francisco dos Pacas. E que se você quisesse chegar a alguma paragem, você tinha que ir a remo porque o motor rabudo ainda nem existia. E para pescar, os antigos apenas colocavam o canição para poder contar com o alimento de cada dia se quisessem comer... Nesta mesma época, os moradores transitavam pela floresta, e sempre passavam pelo poço Pirarucu. E meu avô me contou que ninguém conseguia colocar seus canições neste poço porque lá tinha um galo encantado no fundo deste poço. Você poderia ir até a beira do poço e olhar para o seu fundo com águas cristalinas como as que vêm numa garrafa de água mineral. Porém, não conseguia enxergar o galo. Não conseguia porque o galo era encantado.

Ingledi, 12 anos, 6º ano, Escola São Francisco dos Pacas.


sexta-feira, 3 de maio de 2019

O Galo Encantado e a Mula Sem Cabeça


Há muito tempo atrás aconteceu um caso que ficou muito conhecido aqui na Comunidade São Francisco dos Pacas. Aqui há um poço chamado Pirarucu. E o que vou contar agora aconteceu com todos os moradores daquela época. E qualquer um deles pode confirmar o que vou contar agora. O Poço Pirarucu era mal assombrado, e este causo foi o meu avô quem me contou. Quando ele ainda era novo, meu avô sempre pescava nesse poço mal assombrado. Daí, certo dia, quando estava pescando, notou que já ia entardecendo... Foi quando ouviu um gemido que vinha do fundo do poço. Passou mais um pedaço de tempo ele ouviu um som... Mas já não parecia mais um gemido. E para o susto dele, o que ele acabara de ouvir era o canto de um galo!!! Só poderia ser um galo encantado que existia no poço. Mas não é só isso, diziam que quando o galo cantava lá do fundo do poço, um outro som se ouvia vindo da terra firme, nada mais, nada menos do que um cavalo que merava (relinchava).
A partir deste dia, ninguém mais tinha coragem para ficar perto daquele poço a partir das 18h. O povo dizia que era o galo encantado. Quanto ao cavalo, ninguém nunca viu. Diziam até que poderia ser a Mula Sem Cabeça.


terça-feira, 30 de abril de 2019

O Fruto Proibido



Há muito tempo atrás, em volta de uma grande castanheira, uns amigos meus estavam balando a árvore. Depois de um longo tempo disparando contra a castanheira, a munição deles acabou.

Ao todo, eram sete rapazes, e um deles resolveu colher umas frutinhas vermelhas que é conhecida como fruta de velho, mas o que eles não sabiam, é que aquelas frutinhas eram encantas, porém, um deles conhecia a verdade, e alertou os colegas:

– Não peguem estas frutas, porque senão algo terrível acontece com quem apanha essas frutas de velho!

Mas como sempre tem um teimoso no meio da turma, um dos jovens só respondeu:

– Vou pegar e não vai acontecer nada!

Daí ele pegou mesmo. Só que, sabe-se lá como e de onde, um velho começou a brigar com todos. O velho gritava. Gritou e gritou. Não ficou um cristão para saber o que aconteceria.

O jovem ousado abandonou qualquer traço de coragem e correu desesperado junto com todos os outros. Mas claro, antes ele soltou as frutas que tinham colhido.




terça-feira, 16 de abril de 2019

O Homem do Cancão

Quando eu ainda era criança, meu pai me contou esse causo que irei contar agora para vocês. Uma vez, num rio chamado Prata, meu pai foi caçar. E quando ele finalmente chegou lá, olhou em sua volta e notou um homem passando com um cancão no ombro. Ele se distraiu apenas por um momento. E decidiu fazer um pergunta àquele caçador. Virou-se para chamar por aquele homem, e foi aí que aconteceu. Ele não estava mais lá, ninguém. Olhou para um lado, para o outro, queria saber onde estava o homem com o cancã no ombro, mas ele não estava em parte alguma. Meu pai sentiu os cabelos se arrepiarem todinhos... Ali ele não ficaria mais um minuto, e se mandou de volta para casa mesmo tendo acabado de chegar no rio do Prata. Chegando em casa ele me contou o que aconteceu.
Gezeca Martins, 12 anos. Escola São Francisco dos Pacas.

O Assobio da Madrugada

Era uma vez, segundo os moradores mais antigos daqui da comunidade de São Francisco dos Pacas, que havia uma coisa que não deixava os moradores dormir. Alguma criatura assobiava muito de forma misteriosa. Então os moradores passaram a chamar aquele estranho e desconhecido ser de Assobiado. E assim aterrorizava a todos tirando o sono de forma sinistra e misteriosa. O tempo passou e os motores rabudos, de casco, geradores de energia foram chegando e o Assobiado desapareceu da comunidade. Provavelmente espantado pelo excesso de barulho das máquinas.
Hellem Patrícia, 13 anos, escola São Francisco dos Pacas, da comunidade São Francisco dos Pacas.

A Reforma das Almas

Há duas semanas, aconteceu um mutirão que durou cerca de quatro dias na Igreja Nossa Senhora das Graças, às margens do rio Aramaquiri. Contou a vizinha da igreja que na noite seguinte ao fim do mutirão, ela ouviu justamente na direção para onde fica a igreja, vários barulhos como se estivessem trabalhando com ferro e tijolos, isso no meio da madrugada, e aqueles sons causavam arrepios.
Paulo Henrique Miranda Oliveira, 15 anos, rio Aramaquiri.

domingo, 14 de abril de 2019

A Vingança da Boto Fêmea

As pessoas mais velhas contam que antigamente, no tempo dos pais dos meus avós, vivia um casal na beira do rio. Certo dia, o marido saiu para peraquerar (pescaria com uma lança de três pontas), quando ele voltou para casa, contou para sua esposa que tinha atirado em um boto, na manhã seguinte, os vizinhos encontraram um boto morto na margem do rio.
O tempo passou e o casal estava esperando um bebê, toda a comunidade estava feliz com a chegada de mais uma criança. Numa manhã de sol, a mãe saiu para lavar as roupas do recém-nascido, só que ela ainda estava no período de resguarde, e assim que ela colocou a roupa na água, algo a puxou na direção do fundo do rio. E ela começou a gritar desesperada. Seu marido correu para ajudá-la e a alcançou quando ela já estava desaparecendo nas águas. Mas mesmo assim conseguiu salvá-la. Porém, a partir deste dia, a mulher passou a sofrer delírios.
Os antigos contam que foi uma ação da mulher do boto que sofria pela falta de seu marido e buscava vingança.
Raimundo Borges Gonçalves Júnior, 18 anos, rio Aramaquiri.

sábado, 13 de abril de 2019

O Sopro Maldito

Este conto aconteceu com uma prima minha. Ela gostava de andar sozinha, a mãe dela falava para ela que tinha uma coisa assustadora que aparecia para as pessoas, e ela nem ligava.
Certo dia a minha prima ia caminhando sozinha pela trilha como fazia tantas vezes, até que foi surpreendida com uma fumaça misteriosa que apareceu para ela. Isso foi o suficiente para assustá-la, e aí ela apertou o passo para chegar logo em casa, e antes de acabar o caminho, algo assoprou em seuouvido que a derrubou no mesmo instante já acometida por uma febre. Para sua sorte, seu pai a encontrou caída pouco depois e a levantou, ela tremia muito já ardendo em febre.
Ela procurou repousar, mas a doença não passava e ninguém descobria o que era que ela tinha, e ela piorava a cada dia. A verdade é que ela estava assombrada.
Jailana Oliveira Oliveira, 16 anos, rio Aramaquiri.

A Paca Feiticeira

Este conto ocorreu com um homem chamado João Bunda Mole no ano 2000, aqui mesmo no rio Aramaquiri. Certa vez ele saiu para uma caçada, e ao anoitecer, ele alvejou uma paca. O tiro não foi certeiro, por isso ela conseguiu fugir mesmo ferida. Ao amanhecer, Bunda Mole saiu para rastrear e localizar a caça, ela estava ferida na beira de um lago. Ele avançou nela com o facão na mão para desferir o golpe de misericórdia, porém, ela mergulhou nas águas do lago, e João pulou atrás. O lago era raso e cheio de vitórias-régias, e enquanto perseguia a paca, acabou topando numa pedra no fundo do lago, e sua perna boiou. Num reflexo, João Bunda Mole achou que fosse a paca que tivesse emergido, e golpeou o próprio joelho com toda a sua força.
Cristiane Monteiro dos Santos, 18 anos, 9º ano, rio Aramaquiri.

Alguém tinha Sede

Vou escrever um conto que vivido pelo amigo do meu pai, o falecido senhor Oséias. Ele contou esse causo lá no sítio Santa Rosa, no ano de 2017.
Tudo aconteceu quando ele estava sozinho em casa numa manhã, e enquanto estava na cozinha, notou um homem se aproximando pelo caminho, ele entrou e pediu água. O senhor Oséias lhe deu o que beber e o homem agradeceu.

Já quando o homem ia descendo para ir embora, o senhor Oséias perguntou-lhe de onde vinha e para onde iria.
– Pra você não importa de onde vim, e nem pra onde vou. – respondeu-lhe o homem, que seguia para o mesmo caminho de onde tinha vindo, e que desapareceu para sempre.

O senhor Oseias achou estranho o que aconteceu, e ficou pensativo sobre o ocorrido, mas não ficou com medo. Meu pai me contou esse causo, e eu decidi escrever sobre ele porque também achei estranho. Não apenas estranho, mas também assustador, não é mesmo?

Sandra Oliveira Monteiro, 21 anos, rio Aramaquiri.

Duas imagens, a primeira, é o desenho feito num aplicativo do tablet de um homem olhando pela janela para outro homem indo embora por um caminho.
A segunda imagem é da aluna Sandra de 21 anos do oitavo ano do ensino fundamental, autora do conto: morena
 olhando para a câmera usando um gorro de Papai Noel durante aula na escola cidade

O Festival de Verão das Almas Penadas

Marinho era um pescador de Curralinho que trabalhou no rio Canaticu muito tempo atrás. Certa noite de lua cheia, quando estava voltando para casa, viu um trecho muito claro em uma praia que estava cheia de gente, já que ela está sempre lotada aos finais de semana.
Ele desistiu de ir pescar, resolveu ver o que estava acontecendo, e foi de canoa para a festa. A noite estava tão clara que os mangues, as árvores, tudo se destacando como o dia.
Quando ia virando o leme para encostar, o remo escapuliu da mão e a retranca virou, cobrindo a vista com o pano da vela, daí ele levantou o pano e viu que a praia estava totalmente escura e silenciosa. Tão deserta quanto um cemitério no meio da noite.
Marinho se mandou para o outro lado para ir a uma casa, porém, quando percebeu, no lugar da casa que tinha visto antes, somente um cajueiro.
Fabrício Monteiro Gonçalves, 13 anos, rio Aramaquiri.

quarta-feira, 10 de abril de 2019

Descobrindo um Tenebroso Mistério

Este conto é sobre um idoso que era muito medroso e se chamava Jeová. Certa vez, enquanto estava sozinho em seu sítio, já no fim da tarde, ele foi tomar banho e levou sua toalha e sua havaiana. Após o banho, ele escovou sua sandália e ela ficou um pouco áspera. Calçou-se e saiu andando para dentro de casa, e a cada passo sua sandália rangia por conta da escovada. Jeová se enxugou, trocou as roupas e se deitou para dormir.

No meio da madrugada, Jeová despertou com sede e decidiu se levantar para beber água. Ele levantou da rede, calçou-se e foi até o vasilhame de água. Porém, neste momento ele ouviu um gemido tenebroso e agudo, como o lamento de uma alma sofrendo por seus pecados. Com este susto do além, Jeová abriu carreira para fora de casa, avançou pela trilha, aquele gemido o perseguia não importava o quanto corresse. Ele não parou por nada nessa vida até chegar à casa do seu vizinho.

Ainda muito assustado e nervoso, Jeová pediu um copo de água, pois ainda tinha sede. Enquanto recuperava seu fôlego, notou que o gemido tinha cessado. Seu vizinho tinha uma criancinha que ainda engatinhava, e a criança pulou na perna do velho, que deu mais um salto com tamanho susto que pegou. No momento em que ele saltou, o gemido surgiu novamente, porém, seu vizinho notou que o gemido nada mais era do que sua sandália que rangia por conta da escovada que levou no banho mais cedo.

Tomado pela raiva e revolta que tinha acabado de passar, Jeová jogou as sandálias para bem longe no mato enquanto esbravejava:

– Só eu mesmo pra me assustar com a minha própria sandália!

Jhemerson Miranda de Oliveira, 12 anos, rio Aramaquiri.

O Último Adeus

Este causo aconteceu com meu amigo, ele tem 18 anos e me contou que um dia ele foi apanhar açaí, era uma tarde fria e tempestuosa. Ao subir no açaizeiro, ele escutou uma voz de mulher velha. Ele contou que achava que seria a sua avó. Desceu, porém, não viu a sua vó. Na verdade ele não viu ninguém. Ficou assustado e abriu uma carreira de volta para casa.

Chegando lá ele falou para seu pai que sua avó estava lá no açaizal. O pai dele afirmou que isto não seria possível. O que deixou meu amigo ainda mais assustado e com medo do ocorrido.

Esta experiência o derrubou numa febre, porém, ficou sabendo que naquele mesmo dia a sua avó teria morrido.
Daniel de Oliveira Nicácio, 16 anos, rio Aramaquiri.


terça-feira, 9 de abril de 2019

A Matinta Pereira do Rio Aramaquiri

Por volta de 2015, um jovem de 14 anos, que era o meu primo, estava jogando bola no campo longe de casa, quando ele retornou, já por volta das 18h, foi quando tudo aconteceu. Estava vindo pela trilha que levava para sua casa, daí ouviu uma voz feminina que parecia estar muito brava. Foi aí que ele olhou para trás e viu uma mulher vestida toda de branco, seus cabelos eram desgrenhados e volumosos e seus dentes eram negros, de repente, diante de seus próprios olhos, aquela mulher começou a levitar e os pés já não tocavam mais o chão. Então ela avançou para cima dele.

O garoto sabia exatamente o que deveria fazer: correu desesperadamente para casa. Enquanto estava em desabalada carreira, olhava para trás e aquela mulher continuava o perseguindo e o alcançando. O desespero foi tanto que ele tropeçou e caiu. Mal tocou o solo e já estava de pé continuando sua fuga.

Neste momento, ele olhou para a mulher e ela parou de persegui-lo. Mas ele não parou de correr. O jovem chegou a sua casa quase tendo um treco no coração. A mãe dele perguntou o que tinha acontecido e o garoto contou tudo o que acontecera.

Ele tomou um banho e foi direto para rede sem querer jantar. Não demorou para uma febre chegar, e foram três dias doente depois do encontro com a bruxa da floresta às margens do rio Aramaquiri.

O pai do rapaz precisou levá-lo a um benzedor, que esclareceu que aquela mulher queria assombrá-lo.

Depois deste encontro, o jovem nunca mais quis andar sozinho pelo mato e, felizmente, nunca mais voltou a encontrar aquela Matinta Pereira.

Anderson Rodrigues Oliveira, 15 anos, rio Aramaquiri, aluno do 9º ano da Escola Cidade.


Bebendo com o Boto

Esse conto aconteceu com meu tio. Como de costume, todos os dias ele saía para beber. Pegava sua canoa e ia embora. Minha avó sempre chamava a sua atenção:
– Meu filho, não fica andando sozinho!
Mas ele sempre respondia:
– Não ando sozinho, eles andam comigo! – sem nunca explicar quem eram “eles”.
Certa noite ele saiu para beber, só que houve uma discussão entre ele e seus amigos, e ele voltou mais cedo para casa.
Na volta, enquanto passava próximo a um comércio, decidiu comprar mais uma bebida e continuou seu retorno. Neste percurso viu alguém na margem do rio, mas passou direto. Mais adiante ouviu alguém chamar por ele na margem do rio, ele parou o casco (canoa feita com um único tronco de madeira) e embarcou a pessoa.
Era um homem de camisa branca e chapéu de palha, eles dois foram bebendo a viagem toda. Quando já estava chegando em casa, ele avisou ao seu companheiro de viagem que já estava perto de casa, e para a sua surpresa, o homem pulou na água e desapareceu nas profundezas do rio.
Ao chegar em casa, meu tio contou para a sua mãe o que tinha acontecido, e ela lhe explicou que ele tinha bebido com um boto, e por pouco o boto não levou meu tio com ele. Desde esse dia o meu tio nunca mais saiu sozinho para beber.

Sejam todos muito bem vindos!!!

Tive a ideia de organizar todos os contos sobre visagens, assombrações, lendas e mistérios de Curralinho num blog. Após ouvir um amigo experiente, eu decidi publicar aqui no Blogger. Espero que gostem da ideia, e que este projeto apenas cresça.